terça-feira, 5 de maio de 2015

Sonhando com o poeta do asffalto



Viajando com minhas lembranças voltei ao passado em minha infância
Em minha alma eu via os amigos que hoje nem sei por onde andas
Quantas tardes de verão banhávamos nas aguas limpinhas do rio pequeno
No sitiozinho de terra vermelha que era um reino encantado para todos

Senti a poeira da estrada de terra quando os carros passavam correndo
Nos longos dias que demoravam para chegar a noite com seus encantos
Pisei e brinquei com todos no lamaçal que formou depois de tanta chuva
Que caiu durante a noite enquanto dormíamos sonhando com o passado

Neste sonho senti as varadas de guanxumas em minhas pernas que ardia
Pois foi uma tarde que eu fui nadar no ribeirão ao invés de ir pra escola    
Brincando e se refrescando sem perceber que mamãe veio me buscar
E foi assim que apanhei muito por ter desobedecido suas ordens

Isto pra mim foi uma lição de vida que eu aprendi pois hoje sou um homem
Que tenho uma educação e muitas responsabilidades em tudo que faço
Pois no mundo moderno de hoje a educação ficou esquecido para sempre
E as crianças crescem com a modernização e acha que são donos da própria vida

No meu tempo de criança quando voltava da escola já recolhia os bezerros
Prendia na mangueira e tratava dos porcos galinhas e regava a horta
Depois do trabalho corria com minha arapuca nas mãos para ar malas
Para caças as juritis as pombas as rolinhas e várias espécies que tinha na mata 

Aos domingos era emocionante pois na igrejinha da serra tinha missa
Depois começava a festa com comes e bebes e muitas músicas sertaneja
Onde eu tive dentro da alma um filme da realidade em que vivi neste sonho
Que fez meus olhos derramar lagrimas de saudades de tudo isto que sonhei

O tempo passou como as nuvens no azul do céu tocadas pelo vento
Hoje estou aposentado e não trabalho mais com trabalhava antes
Passei trinta anos nas estradas desta vida transportando o progresso
Onde hoje só tenho como gratificação por ter tido esta profissão

Um tal de AVC dores na coluna pernas inchadas e um salário mínimo 
Que este pobre poeta está sobrevivendo com sua linda família
Sente saudades de tudo em que já viveu nesta vida agitada
Esperando somente o momento que DEUS os chamar para outra vida


                                            O poeta do asffalto



                                 20/03/2015



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