Nasci em um dia
qualquer de agosto
Ao abrir
meus olhos eu vi uma linda mulher
Era minha
querida mamãe
Que chorava de muita alegria
Segurava-me
como se fosse um grande tesouro
Ao chegar
em casa eu vi muita gente
Só não
via o meu querido papai
Pois ele
viaja com caminhão
E estava
a alguns dias viajando
A gente
só se conheceu uns vinte dias depois
Para me
carregar em seus braços
Mamãe fez
com que ele tomasse um banho
Que durou
mais de duas horas
Passou
álcool em suas mãos
Depois de
todos esses cuidados
Ele me
apanhou em seus braços
Chorou
muito de felicidades
Um pouco
foi de viver ausente
Por não
estar ali presente
No dia em
que eu nasci
Para
mostrar que me ama
Foi a
primeira vez que vi meu pai a chorar
Pois não
tive muito tempo com ele
O
caminhão e sua casa ambulante
E sua
morada e nossa casa
Em cada
viagem de volta
Era a uma
surpresa para mim
Sempre em
sua bagagem
Um
presentinho trazia
Uma figa
que da sorte lá da baia
Do oeste
paranaense muitos pinhões
Uma cuia
de chimarrão lá do sul
Um
delicioso queijo de minas
Adorava
todos esses presentes
Mas o que
eu mais adorava
Era ficar
sentado atrás do volante
Como se
estivesse dirigindo o seu caminhão
O bruto
nem saia daquele lugar
Mas em
meus pensamentos sentia
O vento
soprando em meu rosto
Na minha
boca eu fazia o ronco do seu motor
Papai
nunca me levou em suas viagens
Sempre
dizia que as estradas eram perigosas
E quem anda
por elas são mais perigoso ainda
Sentia-se
feliz em dar uma volta no quarteirão
Olhando e
observando seus movimentos
O controle do volante e as trocas de marchas
Atenção com
os pedestres e as crianças
Aos poucos
fui descobrindo o que e ser um caminhoneiro
O tempo
passou bem depressa
E eu me
tornei um homem adulto
Aos poucos
fui dirigindo o caminhão de meu pai
Somente para
lavar e limpar quando ele chegava
Papai sempre
foi meu amigo
Meu grande
herói e meu confidente
Meu braço
direito desde a infância
Agora nos
somos parceiro de profissão
Venci o
tempo de espera
Tirei minha carteira de motorista
Consegui meu
primeiro emprego
Na mesma empresa que papai trabalhava
Viajamos mitos
anos juntos
As vezes nos encontrávamos em casa
Ou em um
posto a beira da estrada
Ao votar
um dia pra casa estranhei
Muita gente
em frente de casa
Festa não
podia ser, pois não tinha combinado nada.
Parentes que
a muito tempo eu não via
Mamãe veio
ao meu encontro chorando
Tudo que
eu não queria acreditar
Realmente
tinha acontecido
Um bêbado
e incompetente
Tirou a
vida do meu papai
Na estrada
que da acesso
Para chegar
La em casa
Saindo daquele
bar
Entrou na
rodovia na contra mão
Com sua experiência
da estrada
Tentou evitar um choque frontal
Acabou caindo
na ribanceira
Perdendo a
vida que tinha
Mamãe e eu
perdemos a nossa riqueza
O céu ganhou
um grande herói
A vida
continua com os mesmo perigos
Os governantes
nada fazem pra melhorar
As estradas
dos nossos pais
Minha esposa
quando chego em casa
Abraça-me,
me beija, e agra desse a Deus
Por ter
me protegido em minha viagem
Por estas
estradas traiçoeiras
O poeta do asffalto
19/06/2014