terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Uma história tão triste
Diante da civilização
Morando lá no sertão
Tinha uma vida saudável
Tristeza a gente não tinha
Antes de clarear o dia
Caboclo já estava em pé
Tirando leite das vacas
E tratando as criações
Fazendo um café bem gostoso
Com um delicioso bolo de fubá
Éramos felizes e não sabíamos
Que um dia íamos sentir saudades
Mulheres de garras e talentos
Que hoje pouco se encontramos
Lavava roupas no rio pequeno
Socava arroz e milho no pilão
Não tínhamos muitas riquezas
Mas tínhamos muitas sabedorias
Naqueles cantos esquecidos
Farturas tínhamos de sobra
O tempo foi se passando
Como a poeira das estradas
Nós fomos obrigados a deixar
O nosso lindo recanto feliz
Com o progresso se expandindo
Foi construído uma hidrelétrica
Por isso o nosso sitio pequeno
Foi ficando debaixo d’água
Hoje moramos aqui na cidade
Ao lado de grandes edifícios
Não conhecemos nossos vizinhos
Sinto saudades da àqueles tempos
Sentado em sua cadeira na porta
Esperando a morte chegar até você
Com suas pernas enfraquecidas
Não consegue mais caminhar
Esta história tão triste que escrevi
Existe em qualquer lugar nesta vida
Não vejo mais os respeitos dos filhos
Como tínhamos no passado de minha infância
O poeta do asffalto
05/01/2015
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário