quinta-feira, 19 de junho de 2014

Assim é a vida de minha familia



Nasci em um dia qualquer de agosto
Ao abrir meus olhos eu vi uma linda mulher
Era minha querida mamãe
 Que chorava de muita alegria
Segurava-me como se fosse um grande tesouro

Ao chegar em casa eu vi muita gente
Só não via o meu querido papai
Pois ele viaja com caminhão
E estava a alguns dias viajando

A gente só se conheceu uns vinte dias depois
Para me carregar em seus braços
Mamãe fez com que ele tomasse um banho
Que durou mais de duas horas

Passou álcool em suas mãos
Depois de todos esses cuidados
Ele me apanhou em seus braços
Chorou muito de felicidades

Um pouco foi de viver ausente
Por não estar ali presente
No dia em que eu nasci
Para mostrar que me ama

Foi a primeira vez que vi meu pai a chorar
Pois não tive muito tempo com ele
O caminhão e sua casa ambulante
E sua morada e nossa casa

Em cada viagem de volta
Era a uma surpresa para mim
Sempre em sua bagagem
Um presentinho trazia

Uma figa que da sorte lá da baia
Do oeste paranaense muitos pinhões
Uma cuia de chimarrão lá do sul
Um delicioso queijo de minas

Adorava todos esses presentes
Mas o que eu mais adorava
Era ficar sentado atrás do volante
Como se estivesse dirigindo o seu caminhão

O bruto nem saia daquele lugar
Mas em meus pensamentos sentia
O vento soprando em meu rosto
Na minha boca eu fazia o ronco do seu motor

Papai nunca me levou em suas viagens
Sempre dizia que as estradas eram perigosas
E quem anda por elas são mais perigoso ainda
Sentia-se feliz em dar uma volta no quarteirão

Olhando e observando seus movimentos
 O controle do volante e as trocas de marchas
Atenção com os pedestres e as crianças
Aos poucos fui descobrindo o que e ser um caminhoneiro

O tempo passou bem depressa
E eu me tornei um homem adulto
Aos poucos fui dirigindo o caminhão de meu pai
Somente para lavar e limpar quando ele chegava

Papai sempre foi meu amigo
Meu grande herói e meu confidente
Meu braço direito desde a infância
Agora nos somos parceiro de profissão

Venci o tempo de espera
 Tirei minha carteira de motorista
Consegui meu primeiro emprego
Na mesma empresa  que papai trabalhava

Viajamos mitos anos juntos
 As vezes  nos encontrávamos em casa
Ou em um posto a beira da estrada
Ao votar um dia pra casa estranhei

Muita gente em frente de casa
Festa não podia ser, pois não tinha combinado nada.
Parentes que a muito tempo eu não via
Mamãe veio ao meu encontro chorando

Tudo que eu não queria acreditar
Realmente tinha acontecido  
Um bêbado e incompetente
Tirou a vida do meu papai

Na estrada que da acesso
Para chegar La em casa
Saindo daquele bar
Entrou na rodovia na contra mão

Com sua experiência da estrada
 Tentou evitar um choque frontal
Acabou caindo na ribanceira
Perdendo a vida que tinha

Mamãe e eu perdemos  a nossa riqueza
O céu ganhou um grande herói
A vida continua com os mesmo perigos
Os governantes nada fazem pra melhorar
As estradas dos nossos pais

Minha esposa quando chego em casa
Abraça-me, me beija, e agra desse a Deus
Por ter me protegido em minha viagem
Por estas estradas traiçoeiras

                                                        O poeta do asffalto



                                                             19/06/2014



                                        










  

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